Pequenas doses da sociedade sorvidas por mulheres em uma mesa de bar. Sem moderação.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Que esse ano de 2010 nos traga...

Foto: Divulgação
É, mais um ano já era, sinceramente, um ano que foi só mais um ano. Tudo que desejo hoje, já em 2010, é que esse ano não seja só mais um ano... Espero conseguir verdadeiramente enxergar (principalmente nas mulheres) perseverança e vontade de lutar.

Mostrar pros desfavorecidos socialmente que tudo pode ser diferente e que ainda temos muito a fazer, muito a conquistar. Será que isso pode acontecer em 2010? Acho meio impossível, mas de qualquer forma, sonhos são sonhos e eu sonho o que eu quiser... Isso pode parecer arrogante e estúpido da minha parte, mas isso faz parte de mim.

Sem máscaras ou com máscaras? Como você prefere ver o mundo? Que este ano nos traga sinceridade, muita luz, consciência e principalmente, óculos de grau, daqueles fundo de garrafa, assim consertamos de vez o que parece não ter conserto, nossa visão de mundo!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A água do rio

[...] Lembro-me de, ainda criança, atravessar açude à nado, brincar no rio da fazenda, tomar banho de chuva sem medo molhar a roupa nova, quase me afogar na piscina da casa do tio Valmir... Lembro-me de tomar banhos que, hoje reconheço, demoraram mais que o necessário.
De minhas memórias mais recentes referente à água, duas são extremamente marcantes e cruelmente opostas: meu encontro com o Rio São Francisco, o “Velho Chico” e com o Rio Jaguaribe, o “Rio dos Jaguares”.



O “Velho Chico” proporcionou-me um revigoraste banho, recheado de risadas e brincadeiras com os amigos de movimento estudantil. Diante de um contato tão intenso, não só com o rio, mas com sua população ribeirinha, seria difícil não me interessar pelas discussões sobre a transposição daquelas águas. Acerquei-me de preocupações com o São Francisco. De volta do Juazeiro da Bahia para o meu Ceará, tomei conhecimento do surgimento de um comitê para a revitalização do Rio Jaguaribe. Por um instante, senti vergonha de minha preocupação com o “Velho Chico”. Preocupação válida, afinal, o Rio São Francisco é meu como brasileira e nordestina que sou, ou mesmo, como cidadã do mundo. Mas, como cearense, o Rio Jaguaribe é meu de uma forma ainda mais próxima e é de uma negligencia tamanha saber que o Jaguaribe precisa ser revitalizado e nem mesmo saber o que levou-o a perder a vida.

Minha segunda lembrança marcante aconteceu após a primeira reunião do comitê, em maio de 2008, em Limoeiro do Norte:
- Já foram ver o rio?
Perguntou o professor a mim, dois amigos e um jornalista.


Respondemos negativamente e o professor nos levou até o rio. Ele começou a falar sobre as margens do rio e sobre qualquer coisa que nem mesmo lembro, pois o que via era mais forte que a voz do professor: uma terra com uma cerca e um jumento dentro, mato, areia, lixo, muito lixo... O rio que o professor apontava não tinha água dentro. Ele apontava para um terreno seco, chamava-o de rio, falava dele como quem fala de um “rio de verdade” e aquilo feriu profundamente todas as imagens que meu imaginário infantil esperava de um rio.


Deve ser ridículo o que vou dizer, mas, apesar de saber o que encontraria, apesar de tratar-se do, até pouco tempo, maior rio seco do mundo, a cena me chocou. Falei ao professor que gostaria que todos vissem aquilo que eu estava vendo, conseqüentemente, que sentissem o estranhamento que senti. [...]
(trecho de um projeto em aberto...)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

José Albano. 40 anos de Fotografia

O evento começava 19:00. Com meia hora de atraso cheguei ao Dragão do Mar. “Onde fica a exposição do Zé Albano?” “Na entrada principal, pela Dom Manoel.” E em poucos minutos, saí dos cinemas e cheguei a mostra fotográfica. Cinqüenta, cem pessoas ou mais cercavam o fotógrafo. Não sou boa de números, mas o local estava abarrotado.

A exposição é o pano de fundo para o lançamento do livro com o mesmo título: “José Albano. 40 anos de Fotografia”. Ela apresenta pequenas resenhas explicando o processo criativo de pouco mais de 100 fotos expostas, escolhidas entre as 180 publicadas na obra literária.

“Zé, posso gravar um pequeno depoimento seu sobre este lançamento”? “Agora não! Estou aqui até dez horas, me persiga”. Foi o que fiz. Não fisicamente, mas percorrendo cerca de vinte ensaios fotográficos exibidos, representando a trajetória do autor.

Primeira Fotografia, Crianças das Américas, Europa, Motociclando, Alternativos, Os Albanitos entre outros ensaios, além do impressionante Emília, no qual Albano se distancia, ao registrar sua filha, que dá nome ao ensaio, partindo dos primeiros anos de vida dela, até o despertar da sua sensualidade e maturidade. Um ensaio sensível e ousado que já dura mais de 30 anos.

_Zé, são dez horas, pode ser agora?
_Agora dá!

LIVRO E EXPOSIÇÃO POR ZÉ ALBANO:
video

MAIS INFORMAÇÕES:
O livro inaugura o Projeto Obra em Revista, coordenado pela Terra da Luz Editorial, que publica livros de personalidades da arte contemporânea cearense.
Vendas: Livraria Livro Técnico.

A exposição fica no Dragão do Mar por tempo indeterminado e é gratuita.
Visitas: Terça e quinta de 09:00 às 18:30. Sexta e domingo de 14:00 às 20:30
Informações: (85) 3488.8624

terça-feira, 24 de novembro de 2009

É mulher, mas é negra!

Foto: Divulgação
A ciência anuncia que as mulheres vivem mais. Os motivos são vários. Um estudo feito na Holanda University Medical Centre diz que durante o período menstrual um tal hormônio estradiol é liberado e torna forte o coração das mulheres.

No entanto, o estudo “É mulher, mas é negra”, de Maria Inês da Silva Barbosa, quebra o enunciado científico. De acordo com a pesquisadora, quando a comparação é feita entre homens brancos e mulheres brancas, ou entre homens negros e mulheres negras, a longevidade da mulher se confirma. Mas se feita entre homens brancos e mulheres negras, a ciência médica é contrariada.

O TODOS não se impõe em sociedades racistas como o Brasil. A discriminação promove a quebra de paradigma. Aqui, mulheres negras derramam muito mais sangue. E não é daquele tipo que as faz viver muito mais.
Em homenagem a essas mulheres de pulso forte, a música "Na veia da Nêga", de Luciana Mello.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Elas são de todas as cores

Foto: Divulgação
Ultrapassando barreiras, e olha que há um tempo atrás não podiam nem usar calças, hoje algumas delas entram na política e não fazem feio. Segundo dados preliminares do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres totalizam 51,7% dos 130 milhões de eleitores aptos a votar nas próximas eleições.

É, realmente muita coisa mudou de um tempo pra cá. Atualmente as mulheres vem entrando na política cada vez mais e de conquistando o espaço de representantes sociais, mas aí, tenho que convir, elas ainda são minoria. Isso talvez seja consequência de um machismo enraizado onde “Política não é coisa pra mulher”.

Não podemos deixar de levar em consideração também tensões existentes na tentativa de conciliar a carreira política e a vida familiar, indicam que a “dicotomia entre público e privado, temática tão cara ao discurso feminista, tem servido como um instrumento importante de análise, é um ponto central com o qual as mulheres se defrontam no cotidiano.

Desonrada

Foto: Divulgação
Mukhtar Mai viveu uma das mais chocantes histórias de violência contra a mulher. Ela foi condenada pela Jirga, a corte tribal, de Meerwala, em junho de 2002, a ser estuprada coletivamente. Seu crime? Nenhum! Seu irmão mais novo, então com 12 anos, estaria se encontrando com uma jovem de uma tribo de casta “superior”. Ofendidas, os membros da tal casta exigiram, como vingança pelo “ataque à honra”, que Mai fosse estuprada.

Ela foi condenada pelo Conselho Tribal e estuprada sucessivamente por quatro homens, enquanto gritava por misericórdia aos 200 homens que testemunhavam a violência. Depois foi obrigada a desfilar nua até a sua casa.

Foto: Divulgação
Recusando-se a ficar em silêncio, ela enfrentou o código tribal. Foi à Justiça comum do país pedindo punição de todos. Em 2004, eles foram condenados e ela recebeu uma indenização. Com o dinheiro, abriu uma escola. Mai nunca teve permissão para estudar. Afirmou na BBC News que “A escola é o primeiro passo para mudar o mundo. Em geral, o primeiro passo é o que dá mais trabalho, mas é o começo do progresso”.

O nome e a história de Mai correm o mundo. Ela virou símbolo da luta pelas mulheres, contra a barbárie e pelos direitos humanos. É admirada, respeitada e apoiada. Não fosse sua determinação de não se calar, seria mais um caso de abuso contra a mulher, num lugar tolerado pelo mundo com a desculpa de que essa é a cultura local ou a lei religiosa.

Mukhtar lançou o livro “Desonrada”, em que conta, no texto escrito por uma jornalista, seu caso dramático, repulsivo e, infelizmente, comum.

Assista ao vídeo Submissão, as mulheres no Islã, que relata o drama das mulheres mulçumanas.

Submissão, as mulheres no islã

O cineasta Theo Van Gogh foi assassinado por causa desse filme. Um mulçumano o degolou e lhe cravou no peito uma carta em que anunciava sua próxima vítima: Ayaan Hirsi Ali, a mulher que fez, ao lado de Theo, o filme Submissão. Ela vem sofrendo ameaças. É autora do livro “Infiel”, onde relata a sua história.

Post relacionado: Desonrada

Assista ao vídeo: